5 questões para conhecer Maria Cláudia Rodrigues e «A Conta que Deus Fez»

|
Categoria: Sem categoria
Partilhar:

 

  1. O que esteve na origem de «A Conta que Deus Fez»?

A Conta que Deus Fez parte de uma história real que trabalhei, enquanto jornalista, há cerca de seis ou sete anos. O protagonista é um homem que, até aos oito ou nove anos, viveu com a mãe no café que ela explorava. Foi ele que deu com ela morta, uma manhã, vítima de um ataque epiléptico. Sem pai e sem irmãos, foi entregue aos avós e passou a vida a tentar saber quem era o progenitor. A história tocou-me muito e não mais me largou. Foi ela o ponto de partida para este livro, embora o miolo resulte da minha total imaginação.

  1. Qual a sua frase preferida do livro? Porquê?

«Passamos a vida a desviarmo-nos da morte», ainda que saibamos que a morte é o mais certo da vida. A Luísa, a personagem principal do livro, é uma sobrevivente, não só física, como emocionalmente. Mais do que uma frase, destaco a resiliência da personagem que, apesar de tão novinha – ela tem apenas onze anos, quando a mãe morre – consegue ir contornando o que lhe faz mal; alimentando e idealizando a fuga a um ambiente muito hostil; agarrando cada oportunidade, cada segundo, cada mão que se lhe estende, no sentido de sobreviver para alcançar o seu objectivo.

  1. O que gostaria que os leitores retirassem do livro?

Muito dificilmente se consegue coexistir com um segredo. E esta é também a história de um segredo. O livro põe-nos à prova, na medida em que nos faz questionar sobre o que fica depois de alcançarmos a verdade; depois do momento em que um segredo é desvendado. Valerá a pena sabermos certas verdades? O que estamos a arriscar quando procuramos a verdade?

No final do livro percebemos o que sente a personagem Luísa quando, finalmente, descobre o passado da mãe, a injustiça que cometeram contra ela e como esse passado se cruza, intimamente, com a origem da própria Luísa.

  1. Existe algum ritual ou hábito que acompanhe o seu processo de escrita?

Escrevo com um velho dicionário de sinónimos ao lado. Gosto muito do cheiro daquele livro. É, absolutamente, inspirador. Adquiri-o numa loja de velharias há uns anos. Gosto de o ter por perto, ainda que não o use na minha actividade jornalística. O jornalismo e os adjectivos são incompatíveis.

  1. Que autores ou obras tiveram maior influência no seu percurso literário?

Gosto muito de mulheres autoras e não sei explicar porquê. Mas gosto. No outro dia, em arrumações, percebi que os livros de mulheres escritoras ocupam uma grande percentagem da minha ‘biblioteca’.

Talvez por ter crescido na fronteira com Espanha, goste muito de autoras espanholas. Destaco a Rosa Montero e a Almudena Grandes que são, apesar de tudo, tão diferentes ao nível narrativo. Também adoro o Fernando Aramburo e o cubano Leonardo Padura.

Gosto muito da Siri Hustvedt, na sua vertente de romacista e ensaísta e, recentemente, descobri a venezuelana Karina Sainz Borgo por quem me ‘apaixonei’.

As autoras portuguesas de quem mais gosto são a Hélia Correia – tenho tudo dela! – e a Dulce Maria Cardoso. Mas foi com a Clara Pinto Correia, e o «Adeus Princesa», que me imaginei, nos meus dez anos de vida, um dia, a escrever livros.

Artigos mais recentes do Blog:

Seleccione um ponto de entrega