Um caso verídico: burla em Angola e em Portugal

Publicado . 2018-05-16 | Categorias . Artigos

Burla em Angola, Burla em Portugal é uma história verídica. Em 1996, um modesto empresário português recebe uma encomenda das For­ças Armadas de Angola (FAA). Em boa-fé, investe e envia, a crédito, tudo o que é pedido pelas FAA e vai a Luanda receber. O que pensava ser um negócio normal converte-se, então, num pesadelo brutal.

A jornalista Susana Ferrador investigou este caso, que começa em Angola e se estende a Portugal. Em Angola, o esquema de corrup­ção é tão flagrante que provoca a reacção revoltada e impotente de alguns corajosos agentes da justiça militar angolana. Não aceitam pactuar com a vergonha e denunciam a situação, procurando defender a vítima, o pequeno empresário português. Mas o pequeno empresário é uma formiga em luta com um elefante: tem a vida desfeita e a empresa arruinada.

Recorre então à diplomacia e à justiça portuguesas. É difícil dizer o que é pior, se o espectáculo da subserviência e da inoperância da nossa diplomacia, se o cortejo de clamorosas falhas da nossa justiça.

Muito se tem dito sobre as relações entre Angola e Portugal. Há processos em curso nos tribunais portugueses que continuam a fazer correr muita tinta. Este livro, dissecando até ao mais ínfimo pormenor um caso concreto, mostrando-nos o drama vivido dia a dia pelos protagonistas desta burla, é um verdadeiro relâmpago a iluminar os mais escuros bastidores. Aqui vemos como as coisas se podem, de facto, passar. Burla em Angola, Burla em Portugal não é uma obra teórica – é o relato de uma situação real. Isto aconteceu. Este não é um livro contra Angola, nem contra a diplomacia e a justiça portuguesas – vamos encontrar aqui autênticos heróis angolanos, com sentido de justiça, tal como há portugueses que não se resignam a que não se faça justiça.

Burlado primeiro em Angola, Manuel Lapas, o empresário por­tuguês, é burlado também em Portugal. É preciso lerem-se os capítulos da segunda parte deste livro para se perceber o desamparo a que foi remetido o cidadão português pelas instituições que deveriam representá-lo e protege-lo. A raiva da injustiça dá-lhe forças para uma luta de 16 anos. Conseguirá a formiga derrubar os elefantes angolanos e portugueses?

Este é um livro que nos ajuda a compreender muitas coisas: as teias de corrupção e a permissividade, que, durante anos, se cruza­ram nas esferas do poder dos dois países. O livro já está aqui, à sua disposição, e chega às livrarias portuguesas a 23 de Maio.

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