É o nosso aniversário

Publicado . 2018-04-10 | Categorias . Artigos

A Guerra e Paz editores faz hoje 12 anos. Como fundador e editor da Guerra e Paz só posso estar em festa. Quero, aliás, estar em festa, apesar de todas as dificuldades e retracções que o mundo do livro em papel sofre.

Este é, afinal, o meu quarto projecto de vida. O primeiro foi a Cinemateca Portuguesa de João Bénard da Costa, na Barata Salgueiro, em que integrei a equipa fundadora, e a que dei, com vontade, dez anos juvenis e apaixonados. A seguir, também fazendo parte da equipa fundadora da SIC, foram 13 anos de exaltação e controvérsia, numa programação de desafios e, por isso, de extremos e de intensidade. O meu projecto mais curto, o único que terminou prematuro, foi a VC Filmes, com 17 projectos de filmes e documentários feitos em 4 anos. Tudo o que aprendi nessas três aventuras, o que era original e frontal, mas também o que foram frustrações e erros, converteu-se na matéria deste sonho que é a Guerra e Paz editores. Uma editora generalista, que acredita na larguíssimo espectro do livro, desde as edições de luxo, a uma sóbria edição de poetas para happy few, até ao livro prático de dieta, ou mesmo um livro de orações, sem esquecer o mundo de emoções que é o grande e o pequeno romance. É preciso de tudo para fazer um mundo. E hoje, mais do que nunca, sabemos que um humilde relatório de um contabilista do Faraó nos pode dizer mais sobre esse passado do que, por vezes, um pretenso documento iluminado. 

Mas é dia de aniversário e o que queremos todo é o bolo. A Guerra e Paz só existe porque os meus co-accionistas me oferecem um ombro amigo. Ao António Parente e à sua Madre SGPS, ao Abílio Nunes, que comigo está desde a primeira hora, ao Pedro Nabinho Henriques, mais recente aliado, e também ao António Palma,  presidente do Mesa da Assembleia Geral, um forte abraço. E lembro os accionistas que nos acompanharam no passado, o fundador José Santos, José António Pinto Ribeiro e o Manuel Cintra Ferreira, que todos os dias nos nos acena, e manda andar em frente, de uma nuvem lá no céu.

A Guerra e Paz tem hoje, sem desfazer de ninguém, a melhor equipa de sempre. O Ilídio Vasco, praticamente fundador, é o nosso designer e responsável pela produção: devemos-lhe a nossa imagem, equilibrada, prática, funcional, por vezes atravessada por uma inovação fulgurante que faz o meu orgulho de editor. A minha equipa editorial, a Inês Figueiras, a Ana Salgado e o André Morgado mantém uma relação de alta qualidade com os autores, garantindo um trabalho nos nossos livros que acompanha o que de bom, mesmo o melhor que se faz na edição em Portugal. O Américo Araújo é o nosso comercial, elo imprescindível de ligação com a distribuição, a dos nossos amigos da VASP, e com as livrarias: devemos-lhe a visibilidade dos nossos livros nas livrarias e uma batalha por soluções variadas na apresentação nos pontos de venda. A Vânia Custódio põe-nos nos jornais e nas revistas, nos blogues, nas televisões e nas redes sociais, ou seja, põe-nos mais próximos dos nossos leitores. A Carla Castela é, gentileza em figura de gente, muitas vezes o primeiro contacto com quem nos procura, autores, agentes, editores estrangeiros e fornecedores, e cuida bem dos nossos serviços administrativos. Ao José Cardoso devemos a racionalidade e o equilíbrio financeiro da empresa, e nossa capacidade de resistirmos à catastrófica insolvência do nosso primeiro distribuidor, num trabalho de paciência e de busca de soluções aparentemente impossíveis.

À VASP, nossa distribuidora, e a todos os livreiros do país, FNAC e Bertrand, livrarias independentes, SONAE, hipers e papelarias, mesmo os quiosque, a todos devemos o facto de fazerem chegar os livros aos leitores. E à Ana Torres, que me ajudou a montar, em 2006, este simpático estaminé e que nunca se esquece de mandar os parabéns.

Estes são os bastidores. E os bastidores só fazem sentido se houver montra: a nossa montra são os livros e os seus autores. Se não tivéssemos tido autores como Eduardo Prado Coelho e Agustina, um economista como José Manuel Félix Ribeiro e, daqui a poucos dias, o prémio Nobel Jean Tirole, um livro de luxo como O Físico Prodigioso, intervenções de pintoras como Mariana Viana, Ana Vidigal e João Cutileiro, Correspondências de Hanna Arendt, Martin Heidegger, Jorge de Sena, Sophia, Eugénio de Andrade, João Gaspar Simões, poetas como Fernando Pessoa, Camões, mas também Dinu Flamand e Eugénia de Vasconcellos, filósofos como John Gray, Roger Scruton , dentro de dias, Michel Serres, se não os tivéssemos tido, sem eles, não haveria aventura. Eles são a aventura, a promessa e a garantia de pensamento e de emoção, da mais genuína alegria, da beleza da criação.

São eles e, decididamente, os leitores que os amam e os lêem, que constituem a nossa razão de existira, a razão para continuarmos um trabalho que é tanto mais feliz quanto é difícil e sem concessões.

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