Colectânea de textos, mais actuais do que nunca, de René Girard, um dos pensadores contemporâneos mais estimulantes.
Antologia enriquecida com uma introdução e posfácio do seu discípulo Benoît Chantre.
Uma explicação actual sobre a metamorfose do ídolo popular em bode expiatório, desde Édipo e Job aos dias de hoje.
«É o medo de ser morto que faz do soberano um tirano. E é o nosso medo de morrer que faz com que nos deixemos tiranizar.»
Em Desejo de Tirania, Benoît Chantre, editor e autor da grande biografia intelectual de René Girard, reúne e comenta textos que recuperaram uma actualidade inquietante.
Neles, René Girard reflecte sobre o equilíbrio instável do poder, do qual o tirano continua a ser a figura excessiva e a tentação secreta. Confrontando a tragédia grega e o profetismo judaico, a sua obra mostra como as desordens geradas pelo desejo mimético se resolvem na irrupção de um modelo único, ao mesmo tempo venerado e detestado, que se impõe a toda a sociedade. A tirania do Príncipe é uma só com a dos seus súbditos e, uma vez revelado este mal político, a liberdade pode inventar-se numa relação com o Outro, libertada das artimanhas do desejo.
Perante a agitação política actual, o apelo a «alguém que decida» vai ganhando terreno, pelo que uma releitura de René Girard poderá ajudar o leitor a compreender o paradoxo dos nossos dias: o pensamento crítico pode também, se for mal utilizado, alimentar um «desejo de tirania».
Leia um excerto aqui: Desejo de Tirania, René Girard