Ganhe já uma viagem. Onde? Fernando Pessoa já lhe diz

Publicado . 2018-05-11 | Categorias . Artigos

Quer entrar numa sociedade secreta? Acabou de se levantado o véu que deixa a descoberto a existência de uma sociedade secreta de viajantes. Os seus membros praticam uma forma de peregrinação que põe em causa o espaço Schengen, mas também as companhias de aviação de low cost. É que vão a todo o lado sem nunca sairem do cais.

Vá ao Porto de Lisboa ou de Matosinhos, ao cais de São Bento, de Santa Apolónia, à gare de Coimbra B e é possível que, em silhueta deambulem por aí esses extraordinários peregrinos. São eternos sonhadores que, à beira do Tejo, vêem o longínquo e remoto rio da sua aldeia. Tanto sonham com piratas, como com navios e Chevrolets nas curvas da estrada de Sintra. 

As brigadas de investigação editorial da Guerra e Paz acabam de identificar esses viajantes. Chamam-se Fernando Pessoa, Álvaro de Campos, Bernardo Soares, Alberto Caeiro e Ricardo Reis.

E não se diga que não avisámos. Começámos por falar aqui de uma vaga de insustentáveis prazeres e vícios. Esse era mais do que um livro azul, era um passaporte para os vícios de Fernando Pessoa, do absinto ao ópio e morfina. Agora, um segundo livro, este amarelo, é o mais diplomático dos passaportes para viajarmos sem destino, sem propósito, sem controlo. Porque, como este livro nos explica - instrução número um deste passaporte - "para que precisa de viajar com o corpo quem tão bem viaja com a alma"?

Aprenda a viajar com Fernando Pessoa, lembrando-se que "afinal, a melhor maneira de viajar é sentir!" O livro azul foi o seu passaporte para os vícios; este livro amarelo vai ser o seu passaporte para uma eterna e interminável viagem. 

São estes os dois primeiros livros da colecção "Os Livros de Fernando Pessoa". O terceiro vai ser um livro vermelho. Passaporte para o quê? Passaporte para quem? Estes dois já estão nas livraria. O terceiro vem a caminho. São de se agarrar e neles aprendermos a viajar sem nunca sair do cais. Estranhas viagens

A ideia de viajar nauseia-me.
Já vi tudo que nunca tinha visto.
Já vi tudo que ainda não vi.

Leia também Fernando Pessoa como nunca o tinha lido.

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