Poesia: forma de dizer a verdade

Publicado . 2021-02-11 | Categorias . Artigos

 

Se um dia hei-de morrer,
e morrerei,
seja o céu do claro azul
que tanto amei,
nesta terra do Sul

Eugénia de Vasconcellos,
o quotidiano a secar em verso

 

Os sete livros que estão na imagem acima dão corpo à colecção de poesia da Guerra & Paz. Podem amanhã estar em sua casa e oferecer-lhe sete formas de dizer a verdade, se o poeta é esse «mentiroso que diz sempre a verdade», como assegura Jean Cocteau.

Podia convocar um cortejo de razões para persuadir os meus leitores a comprar esta colecção. Prefiro apontar a dedo (é um vício: disseram-me que tenho os dedos bonitos) à singela condição e missão da poesia – a poesia tem no seu coração e mente um só propósito, proteger a linguagem da degradação e do empobrecimento. O que a poesia quer, na sua contenção ou exaltação, é trabalhar e polir cada palavra para que possamos confiar no seu potencial de encantamento e sonho, lirismo ou epopeia.

Nestes sete livros, o que me atraiu, como editor, foi o amor às palavras e a liberdade com que os seus autores, da Eugénia de Vasconcellos à Ana Paula Jardim, passando pelo Dinu Flamand, João Moita, Tchiangui Cruz e André Osório, lhes entregaram silêncios e explosões, vingança e redenção, corpos e almas. Há uma inquietação e uma surda alegria a correr nas páginas destes sete livros: a da permanente invenção da linguagem, convertendo-a num instrumento que nos permite descobrir novos sentidos para a vida. T. S. Eliot, corrigindo o que Cocteau disse, garantiu, sem o desmentir, que «a poesia não é uma asserção da verdade, mas sim tornar a verdade ainda mais real para nós.»

Estes são setes livros grávidos de realidade e de vida. Peço a quem ainda estremece com o amor, a quem ainda se exalta com o primeiro raio do sol da manhã, a quem ainda se espanta com a violência do mundo, mas também com o milagre da harmonia que por vezes o inunda, que leve, leia e guarde estes sete livros. Tem aqui a mais fiel das companhias.

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